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Mesa-redonda

Atenção, alunos do 3º Ano! Vamos aprofundar nossa relação com Machado de Assis?

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sábado, 1 de janeiro de 2011

PROJETO: CELEBRANDO O UNIVERSO LITERÁRIO DE MACHADO DE ASSIS





 
CELEBRANDO O UNIVERSO LITERÁRIO DE MACHADO DE ASSIS



PROBLEMA

Já se tornou um lugar-comum a repetição de que os nossos alunos não lêem. Essa constatação está muito presente no universo do CELEM. Esquecemo-nos de questionar, no entanto, por que isso acontece. Talvez, uma das causas seja o fato de nós, seus professores, não lermos também e, por isso, não lhes incentivamos esse hábito.
Por um lado, é preciso ter clareza, todavia, que a resposta a essa problemática não é tão simplista assim. É preciso inseri-la no contexto da escola pública no Brasil cujos professores têm que dar conta, entre outras questões, de uma carga horária estafante, número elevado de alunos por turma e exíguos salários.
Por outro lado, é preciso indagar sobre o papel da família no incentivo a essa prática. Muitas vezes, porém, ou não reconhecem sua importância, talvez por serem analfabetas, ou  simplesmente se omitem ao seu papel de orientadora.
Mas, esses argumentos também, por si só, não explicam, pois independente, das instituições formadoras, somos cercados e tragados quase sempre pela sociedade da imagem veiculada nas várias mídias.
Não devíamos, mas nos acostumamos com essa realidade. Não nos sentimos indignados com a recente divulgação do ranking do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos promovido pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) que coloca o Brasil na 52ª posição no total de 57 países pesquisados.

PÚBLICO-ALVO

            Todos os alunos do Ensino Médio/ Formação Geral e também os alunos das Áreas I e II da Aceleração III do Colégio Estadual Luís Eduardo Magalhães.


JUSTIFICATIVA

A leitura é condição “sine qua non” para a inserção do aluno nos inúmeros contextos da sociedade da informação e do conhecimento. Assim, 2008 nos apresenta uma possibilidade e um pretexto para o ato de ler.
Há 100 anos, morria, para muitos, o maior escritor brasileiro de todos os tempos: Machado de Assis. Ainda que lhe neguemos esse título de caráter extremamente subjetivo, havemos sempre de concordar que, somente com ele, nossa literatura amadureceu, projetando-se no cenário internacional no mesmo patamar de autores como Shakespeare, D. H. Lawrence, James Joyce, Virginia Woolf e Dostoiévski, por exemplo.
Nossa intenção, todavia, é aproximá-lo do contexto social no qual vivemos, numa tentativa de atualizar sua percepção da realidade social, pois, independente do tempo ou do lugar em que estejamos, suas personagens e tramas sempre falarão ao espírito humano para mostrar e nos lembrar da nossa condição.    

OBJETIVO GERAL
            Incentivar a leitura da obra machadiana.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
·         Proporcionar espaços de leitura e audição de textos de Machado de Assis;
·         Percepção de diferentes visões de mundo pela ótica das personagens machadianas;
·         Compreensão e reconhecimento da linguagem machadiana presente em seus contos e romances;
·         Socialização dos trabalhos produzidos pelos alunos durante o período de execução desse projeto.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Ø  Pesquisa sobre a vida e a obra de Machado de Assis;
Ø  Leitura comentada dos contos “A causa secreta”, “A Cartomante”, “Uns braços”, “O enfermeiro”, “O espelho – esboço de uma nova teoria da alma humana”, “O Alienista” e “Missa do galo”;
Ø  Estudo de alguns capítulos do livro “Memórias póstumas de Brás Cubas”;
Ø  Estudo da produção poética de Machado;
Ø  Leitura da obra “Helena”, “Dom Casmurro” e “Quincas Borba”;
Ø  Construção de painéis;
Ø  Divulgação do centenário de Machado de Assis nas rádios “Tucano FM” e “Cruzeiro”;
Ø  Produção de texto publicitário com o tema: Leia Machado de Assis.




CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO DO PRODUTO FINAL
DATA
OBJETIVO(S) ESPECÍFICO(S)
PROCEDIMENTOS









30/09
(programação por turno)        
1. Socialização da proposta.






2. Sistematização de fatos sobre a vida de Machado de Assis.







3. Divulgação da obra machadiana
Visitação aos painéis construídos pelos alunos (apresentação da biografia, poesias, e cronograma das obras).

Abertura oficial do evento.

Apresentação teatral sobre a vida de Machado de Assis.
Sessão de poesias
Apresentação do conto “A causa secreta”
Mesa-redonda com o tema: “importância da leitura de Machado para a minha vida”.
Sessão de poesias
Apresentação do conto “A Cartomante” e do romance “Helena”.
Mensagem final








01/10
(programação por turno)        

1. Produção do gênero textual “propaganda”.


2. Desenvolvimento da linguagem oral.


3. Divulgação da obra machadiana
Abertura oficial.

Apresentação teatral da obra  “Dom Casmurro”.
Divulgação do jogral em cordel.
Apresentação do conto “O enfermeiro”
Apresentação de texto publicitário.
Apresentação teatral das obras “O Alienista e “Quincas Borba”.
Mensagem final

Em 2008, o Colégio Luís Eduardo Magalhães, Tucano/BA, prestou uma grande homenagem ao "Bruxo" com o Projeto:

http://www.academia.org.br/

Por que celebar Machado de Assis?

A um bruxo, com amor

Em certa casa da Rua Cosme Velho
(que se abre no vazio)
venho visitar-te; e me recebes
na sala trajestada com simplicidade
onde pensamentos idos e vividos
perdem o amarelo
de novo interrogando o céu e a noite.

Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro.
Daí esse cansaço nos gestos e, filtrada,
uma luz que não vem de parte alguma
pois todos os castiçais
estão apagados.

Contas a meia voz
maneiras de amar e de compor os ministérios
e deitá-los abaixo, entre malinas
e bruxelas.
Conheces a fundo
a geologia moral dos Lobo Neves
e essa espécie de olhos derramados
que não foram feitos para ciumentos.

E ficas mirando o ratinho meio cadáver
com a polida, minuciosa curiosidade
de quem saboreia por tabela
o prazer de Fortunato, vivisseccionista amador.
Olhas para a guerra, o murro, a facada
como para uma simples quebra da monotonia universal
e tens no rosto antigo
uma expressão a que não acho nome certo
(das sensações do mundo a mais sutil):
volúpia do aborrecimento?
ou, grande lascivo, do nada?

O vento que rola do Silvestre leva o diálogo,
e o mesmo som do relógio, lento, igual e seco,
tal um pigarro que parece vir do tempo da Stoltz e do gabinete Paraná,
mostra que os homens morreram.
A terra está nua deles.
Contudo, em longe recanto,
a ramagem começa a sussurar alguma coisa
que não se estende logo
a parece a canção das manhãs novas.
Bem a distingo, ronda clara:
É Flora,
com olhos dotados de um mover particular
ente mavioso e pensativo;
Marcela, a rir com expressão cândida (e outra coisa);
Virgília,
cujos olhos dão a sensação singular de luz úmida;
Mariana, que os tem redondos e namorados;
e Sancha, de olhos intimativos;
e os grandes, de Capitu, abertos como a vaga do mar lá fora,
o mar que fala a mesma linguagem
obscura e nova de D. Severina
e das chinelinhas de alcova de Conceição.
A todas decifrastes íris e braços
e delas disseste a razão última e refolhada
moça, flor mulher flor
canção de mulher nova...
E ao pé dessa música dissimulas (ou insinuas, quem sabe)
o turvo grunhir dos porcos, troça concentrada e filosófica
entre loucos que riem de ser loucos
e os que vão à Rua da Misericórdia e não a encontram.
O eflúvio da manhã,
quem o pede ao crepúsculo da tarde?
Uma presença, o clarineta,
vai pé ante pé procurar o remédio,
mas haverá remédio para existir
senão existir?
E, para os dias mais ásperos, além
da cocaína moral dos bons livros?
Que crime cometemos além de viver
e porventura o de amar
não se sabe a quem, mas amar?

Todos os cemitérios se parecem,
e não pousas em nenhum deles, mas onde a dúvida
apalpa o mármore da verdade, a descobrir
a fenda necessária;
onde o diabo joga dama com o destino,
estás sempre aí, bruxo alusivo e zombeteiro,
que resolves em mim tantos enigmas.

Um som remoto e brando
rompe em meio a embriões e ruínas,
eternas exéquias e aleluias eternas,
e chega ao despistamento de teu pencenê.
O estribeiro Oblivion
bate à porta e chama ao espetáculo
promovido para divertir o planeta Saturno.
Dás volta à chave,
envolves-te na capa,
e qual novo Ariel, sem mais resposta,
sais pela janela, dissolves-te no ar.
 (Carlos Drummond de Andrade)

Qual a importância de Machado de Assis para a literatura brasileira?


A leitura é condição “sine qua non” para a inserção do aluno nos inúmeros contextos da sociedade da informação e do conhecimento. Esse blog nos apresenta uma possibilidade e um pretexto para o ato de ler. Ler Machado...
Há mais de 100 anos, morria, para muitos, o maior escritor brasileiro de todos os tempos: Machado de Assis. Ainda que lhe neguemos esse título de caráter extremamente subjetivo, havemos sempre de concordar que, somente com ele, nossa literatura amadureceu, projetando-se no cenário internacional no mesmo patamar de autores como Shakespeare, D. H. Lawrence, James Joyce, Virginia Woolf e Dostoiévski, por exemplo.
Nossa intenção, todavia, é aproximá-lo do contexto social no qual vivemos, numa tentativa de atualizar sua percepção da realidade social, pois, independente do tempo ou do lugar em que estejamos, suas personagens e tramas sempre falarão ao espírito humano para mostrar e nos lembrar da nossa condição.